quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Um descaso irreversível

O advento de um dos maiores períodos de estiagem da história do Brasil preocupa desde o cidadão comum até os ambientalistas. A situação contrasta com a despreocupação aparente da União em fazer o melhor uso possível da água. Os índices de despejo do esgoto sem tratamento nos rios é crescente e não apresenta projeção de inversão. Até em período eleitoral, a pauta foi ignorada pelas lideranças políticas.


Levantamentos realizados pelo Instituto Trata Brasil, entidade voltada aos estudos em saneamento básico, atestam o alarmante cenário do esgoto no país. O mais recente estudo, realizado em meados de 2014, aponta que, apesar de mais de 80% dos domicílios receberem a água tratada, menos de 1% dos 5.570 municípios brasileiros contavam com o tratamento integral dos dejetos. Até nas 100 maiores cidades, as taxas passam de pouco mais de 60%.

Belém encabeça o ranking das grandes cidades brasileiras com esgoto à céu aberto. (Foto: Filipe Araújo/Agência Estado)

A ausência dos governos fica clara quando se analisa o investimento real em saneamento. Nas maiores regiões, menos de 60% delas reinvestiram no máximo 20% do que foi arrecadado com tarifas de água e esgoto nos 12 meses anteriores ao levantamento. Apesar da existência de um conjunto de metas nessa área, o Plano Nacional de Saneamento Básico promulgado em dezembro de 2013, falta rigor no cumprimento do que ficou estabelecido.

A vitaliciedade dos recursos naturais, ideia defendida por cidadãos equivocados, vem sendo cada vez mais desmentida pela própria natureza. Tratar o esgoto é apenas uma das medidas que se fazem necessárias para atenuar os riscos de um futuro colapso da natureza. Prover saneamento básico é uma das obrigações da União, prevista na Constituição. Além disso, atentar-se ao trabalho desenvolvido por governos nessa área pode servir como parâmetro para a escolha de políticos compromissados. Dar a destinação correta ao esgoto é o primeiro passo para se criar a cultura do bom uso da água.

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